Se o nome é "imposto", quer dizer que não é aceito de bom grado.
No caso das taxas, tributos, encargos... Bem, no caso dos impostos que o governo estipula sobre produtos e serviços, a reclamação é diretamente correlacionada aos efeitos percebidos quanto à aplicação daquilo que foi cobrado.
Haveria outra forma de um Estado se sustentar, auferir recursos para implementar aquilo que julga ser sua obrigação?
De todo modo, fica aqui indicado, apenas a título de conhecimento, o quanto de imposto está embutido em alguns dos produtos que consumimos ou adquirimos.
Agradecendo à elaboração do interessantíssimo instrumento "Sombra do Imposto", por parte da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, passamos a incluir em nosso blog esse mecanismo que permite um conhecimento e uma reflexão sobre o quanto pagamos - e, a partir daí, refletir ainda mais sobre o que devemos fazer para que se efetivem os direitos à saúde, educação, segurança, etc., etc.
domingo, 12 de maio de 2013
Retomando: de fato, o "O que faz o 'brasil', Brasil"?
O título é tomado de um pequeno
grande livro de Roberto DaMatta (que dispensa apresentações); no livro, de
forma agradável, colocam-se em discussão as características, condições e
processos históricos que teriam contribuído para a edificação do país Brasil.
Nas entrelinhas, assoma o espectro do famoso “jeitinho brasileiro”, dá para
sentir os odores do “levar vantagem em tudo”, cintila a “malandragem”.
Muitas são as obras que tentam
fazer entender o que é “isso” que se chama Brasil. Autores e livros famosos,
clássicos, e outros menos famosos, mas igualmente clássicos... Jorge Benci,
André João Antonil, Perdigão Malheiros, José Mattoso, Gilberto Freyre, Paulo
Prado, Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Hollanda, Caio Prado Júnior, Darcy
Ribeiro, Florestan Fernandes, Nelson Werneck Sodré, Alfredo Bosi, Laurentino
Gomes... Mesmo na literatura: com Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Mário de
Andrade, Oswald de Andrade, Aluísio Azevedo, José de Alencar, Monteiro Lobato,
Euclides da Cunha, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Ignácio de Loyola Brandão...
Mesmo na música: Cazuza (“Brasil, mostra a tua cara...”), Chico Buarque, Titãs,
Biquíni Cavadão, Bezerra da Silva, O Rappa, Cidade Negra, Skank...
As
referências, as listas, também no cinema, poderiam ser prolongadas por muito.
O que desponta
é uma trama complexa, como complexo é o povo que constitui esse país. Não
apenas índios, negros, brancos e amarelos, mas também cafuzos, mamelucos, mulatos,
juçaras, ainoko (nissei, sansei, yonsei)... Talvez pudessem entrar, ainda,
verdes, vermelhos, marrons (não é mesmo, cantora Alcione?). A mestiçagem é uma
das coisas positivamente extraordinárias do Brasil – tanto que há um feriado, o
Dia do Mestiço, comemorado no Amazonas, em Roraima e na Paraíba no dia 27 de
junho.
Mas, os
contrastes chegam a criar outros paradoxos, sobretudo quando se tenta aproximar
o Brasil real do Brasil ideal, ou o Brasil “oficial” do Brasil “alternativo”.
Dilema que DaMatta confrontou ao discutir o “jeitinho” e o “sabe com quem está
falando?” (conf. seu livro “Carnavais, Malandros e Heróis”). Há fenômenos ou
eventos, porém, que surpreendem pelo absurdo. Como o contraste entre se possuir
grandes extensões de terra e não se ter onde morar. Contraste entre safras
recordes e alta dos preços do alimento. Produção colossal de automóveis e
transporte público caótico. Universidades de qualidade mundialmente reconhecida
e estudantes que concluem o ensino fundamental sem saberem o fundamental.
Pesquisadores que tentam descobrir soluções para problemas complexos de saúde e
um sistema público de saúde no qual pessoas morrem sem atendimento em porta de
hospitais (ou em suas UTIs e maternidades)...
Como entender
esse país que tem tantos contrates, inclusive quanto à postura política,
apoiando a liberdade e tendo saudades da ditadura? País onde as pessoas que não
se rebelam com os serviços precários, de baixa qualidade e alto custo... Mas,
igualmente, país onde grupos de pessoas assumem a história em suas mãos – o que
vai contra a história política de um país em que a independência, a libertação
de escravos e a proclamação da República foram “atos de governo” e, não,
atendimento de exigências populares – e pedem a saída de um presidente. Também
se assistiu recentemente (assiste-se, ainda, em meados de abril) à mobilização
de várias pessoas (talvez milhares) contra a presença de um determinado deputado na
presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara – mobilização
que teve consequências. Por outro lado, não se assistiu qualquer articulação a
respeito da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ser integrada por
dois deputados que foram julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal e um deputado procurado pela Interpol. Detalhe, o Deputado Feliciano, do PSC, só ocupou uma vaga porque a
mesma foi cedida pelo PMDB, demonstrando o “interesse” de alguns partidos nessa
Comissão. Aliás, em inícios de abril, havia duas das 18 vagas não ocupadas
nessa Comissão, enquanto as 66 vagas da Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania estavam ocupadas. Isso, sem falar nos um milhão e meio de assinaturas
de um abaixo assinado que pedia a saída do presidente do Senado.
São
articulações políticas, em um e outro casos, mas cuja motivação é diversa. Ah,
claro. Mas que revelam um pouco do caráter ou da modelagem daqueles que formam
o Brasil. Isso porque o que faz o “brasil” ser Brasil é tanto a conduta
malandra daquele que frauda tudo o que pode, levando vantagem em tudo, quanto a
daquele trabalhador (ou, mesmo, desempregado) que recebe seu salário mínimo e
considera que é seu dever moral entregar ao dono o pacote de dinheiro que achou
jogado em algum canto.
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