segunda-feira, 9 de abril de 2012

Verão Brasileiro - I

Ainda sopram ventos na “Primavera Árabe”. Esses ventos ajudam a dissipar a fumaça de incêndios e barricadas. As feridas abertas no solo dos países onde se deram esses incêndios e onde se ergueram e arderam essas barricadas, porém, ainda levarão muito tempo para cicatrizar – se é que chegaram a sê-lo, totalmente.

Com as dores, o sangue e as lágrimas disseminados naqueles países forjaram-se lições; sobretudo a de que nada vem de graça. Muito menos a justiça.

Poderíamos, aqui no Brasil, aproveitar de graça, ao menos, as lições. Sobretudo a lição de que a política deve ser feita em favor do povo. Não é possível se pensar em uma classe de “servidores” públicos que se transmuta em “servidores do” público, no sentido de que se serve do público para se locupletar a si própria, constituindo-se em uma classe à parte da mesma sociedade que a elegeu e a quem prometeu representar.

Os descalabros e os escândalos provocados pela classe política vêm se constituindo, a cada dia mais, em uma ofensa aos brios e à honra da população. Não se pode mais compactuar com um grupo que faz do apadrinhamento, da troca de favores, dos conchavos, da falsidade e do autobenefício uma tônica de seu agir. Claro, não são todos os políticos que pautam seu agir por esses parâmetros. Mas isso não é um mérito: essa deveria ser a regra, sem exceções. Descoberta a transgressão, a punição.

Mas, quando os políticos honestos são coniventes com seus colegas criminosos – que se travestem de íntegros – é o caso de se pensar na possibilidade de correção de rumo do país. É o caso de se pensar em um "verão brasileiro".

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